Como usar
O que é. Sete partes: por que o layout vem bonito e errado; a lista das 7 marcas de cara de IA; os 3 passos que consertam; o caso que me custou uma capa ontem; os erros clássicos que se repetem; o checklist de 7 itens para passar em qualquer arte; e como pedir isso pronto.
Para quem é. Para quem pede arte, post ou página para uma ferramenta de IA e recebe de volta algo que parece certo mas não parece seu. Você não precisa ser designer nem programar para aplicar o que está aqui. Tem um texto pronto no fim para colar na conversa com a ferramenta que você já usa.
O que este guia não entrega. Aqui não tem template de arte, paleta pronta nem fonte para baixar. As cores e as fontes são suas, e é justamente isso que faz a peça ser sua. O que se copia daqui é o critério, e esse vai inteiro.
Duas palavras antes.
- Regra de design: um texto curto com o que a sua marca usa e o que ela não usa. Entra na conversa antes do pedido, toda vez.
- Teste: uma conferência que mede a arte pronta e reprova sozinha quando alguma medida passa do limite. Quem reprova é a medida, não a discussão.
Parte 1. Por que o layout vem bonito e errado
Quando você pede uma arte ou uma página para uma ferramenta de IA sem dizer as suas regras, ela entrega o padrão do mundo: o visual médio de milhões de páginas. Fica bonito na primeira olhada e errado no detalhe, porque ninguém disse a ela o que a sua marca não usa.
O erro quase nunca é do modelo. O erro é aceitar o primeiro resultado.
Parte 2. A lista do que eu chamo de cara de IA
São marcas que qualquer pessoa reconhece depois que alguém aponta uma vez:
- Pílula em cima do título: aquela bolinha colorida com uma palavra em caixa alta e as letras espaçadas, logo acima da manchete. Some com ela e deixe o título liderar.
- Travessão no meio da frase: o tracinho longo separando ideias. Vício de escrita de máquina. Vírgula ou ponto resolvem.
- Contraste escolhido no olho: cinza claro em cima de cinza escuro. Parece elegante na tela grande e some no celular no sol.
- Tudo centralizado: título, texto e botão no meio, sem nenhuma linha de apoio. Dá ar de modelo pronto.
- Gradiente roxo e neon, bolha flutuante ao fundo: o papel de parede padrão das ferramentas de IA.
- A fonte que todo mundo usa: se a sua peça pode ser de qualquer empresa, ela não é da sua.
- Texto passando da margem: a letra encosta ou sai da borda. É o mais fácil de medir e o mais comum de passar batido.
Parte 3. Os 3 passos que consertam
Passo 1. A regra de design escrita antes do prompt
Um documento curto, em texto, com o que a sua marca usa e o que ela não usa: as cores com o código, as duas fontes, a margem mínima, e uma lista de proibições (as sete de cima). Esse arquivo entra na conversa antes do pedido, toda vez. Não é burocracia: é a diferença entre pedir "faça bonito" e pedir "faça assim".
Passo 2. Um teste que mede, e reprova sozinho
Antes de publicar, alguma coisa precisa conferir o que foi feito, e não pode ser o seu olho cansado às 23h. Três medidas resolvem a maior parte:
- contraste entre a letra e o fundo, calculado, com um piso definido;
- margem: nenhuma letra pode passar da borda que você definiu;
- tamanho do texto: o texto cabe na caixa, medido antes de desenhar.
Quem reprova é o teste, não a discussão. E o teste roda em segundos, quantas vezes for preciso.
Passo 3. O personagem (ou o elemento de marca) como ativo fixo
Se a cada peça você gera uma figura nova, você tem trinta marcas diferentes no fim do mês. Escolha uma, guarde o arquivo, e reutilize sempre o mesmo. O que muda é a cena, nunca a identidade.
Parte 4. O caso que me custou uma capa
Ontem a capa de um carrossel caiu no meu próprio teste. O motivo: a palavra "já" começava a linha, e o "j" da fonte sangra 9 px para a esquerda por causa do desenho da letra. A margem era 72 px, o teste mediu 63 px e reprovou.
A arte estava pronta e bonita. Ninguém teria reclamado. Mas era o começo de um padrão: se passa 9 px hoje, passa 20 px na semana que vem.
A solução não foi aumentar a margem nem discutir com o teste: foi medir o texto antes de renderizar e trocar o título por um que não começa com "já". Dois minutos, e a regra ficou escrita para a próxima.
Parte 5. Os erros clássicos
- Escrever a regra depois da peça pronta, para justificar o que já foi feito.
- Pedir "sem cara de IA" no prompt sem dizer o que isso significa na sua marca.
- Confiar no olho para julgar contraste (o olho se acostuma; o cálculo não).
- Ter regra escrita e não ter quem confira: regra sem teste é decoração.
- Trocar o personagem ou a paleta "só nesta peça".
Parte 6. O checklist para colar antes de publicar
Passe os sete itens em qualquer arte, uma vez, na ordem:
- Tem pílula em cima do título? Tire.
- Tem travessão na copy? Troque por vírgula ou ponto.
- O contraste do texto principal foi calculado e passa do piso?
- Alguma letra encosta ou passa da margem que você definiu?
- O texto cabe na caixa sem apertar, medido antes de desenhar?
- A tipografia e as cores são as da sua marca, nome e código na mão?
- O elemento de identidade é o mesmo arquivo de sempre?
O texto para colar na conversa com a sua ferramenta de IA
Preencha o que está entre colchetes com o que é seu e cole na ferramenta de IA que você já usa. Ele transforma as respostas acima na regra escrita do passo 1 e devolve um teste simples para o passo 2.
Você vai escrever a regra de design da minha marca e um teste que confere as artes antes de eu publicar. A minha marca usa: - cores: [cor principal com o código, por exemplo #1B1B1F] e [cor de apoio com o código] - fontes: [fonte dos títulos] no título e [fonte do texto] no texto corrido - margem mínima: [número] px de borda livre nos quatro lados de qualquer arte - o que a minha marca não usa: [liste aqui, por exemplo: pílula acima do título, travessão no texto, gradiente roxo com neon, tudo centralizado, qualquer fonte fora das duas de cima] Me entregue duas coisas, nesta ordem: 1. A regra escrita, num arquivo de texto curto, com as cores, as fontes, a margem e a lista de proibições acima, no formato de quem lê rápido antes de desenhar. 2. Um teste simples que eu possa rodar em cada arte antes de publicar, que confira três medidas e reprove sozinho: o contraste entre a letra e o fundo, com um piso definido; se alguma letra encosta ou passa da margem mínima; e se o texto cabe na caixa, medido antes de desenhar. Me diga como rodar o teste e o que aparece na tela quando ele reprova. Antes de escrever, me pergunte o que faltar. Não invente cor, fonte nem número que eu não tenha dado.
Se a ferramenta devolver a regra sem perguntar nada, desconfie: ela preencheu os colchetes com o padrão do mundo, que é exatamente o que este guia tenta tirar da sua peça.
Os limites deste guia
As sete marcas da Parte 2 são o que eu aponto nas minhas peças, não uma lista fechada de design. O caso da Parte 4 é uma capa, num dia, com uma fonte específica: o número que sangra muda com a letra e com a fonte, e é por isso que ele é medido em vez de decorado. Nada aqui dispensa alguém olhando a peça no fim.
Parte 7. Como pedir isso pronto
Se o assunto anterior ainda estiver aberto, os guias que já estão no ar seguem a mesma linha:
- Skill, agente ou automação: qual usar, para saber onde a regra e o teste moram.
- As 5 skills que eu uso todo dia, para ver como fica um processo escrito depois de pronto.
- De onde vêm as skills da sua IA, para filtrar o que você instala antes de instalar.
- O painel que decide o que você posta, para o passo seguinte, quando a peça já sai no padrão.
E se quiser montar o seu com a gente, faça o Mapa de Prioridade e conte o que apareceu; sem compromisso.
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